Novidade da eleições de 2022, as federações partidárias que estão sendo negociadas nacionalmente ameaçam atrapalhar os planos de alianças dos pré-candidatos ao governo do Paraná. Isso porque caso dois ou mais partidos se unam em federações, eles terão que manter um alinhamento das chapas tanto para a disputa presidencial quanto para o governo do Estado. Um dos mais prejudicados pode ser o governador Ratinho Júnior (PSD), que há algum tempo já vem articulando uma coligação para sua pré-candidatura à reeleição.
Em 2018, o governador foi eleito com o apoio de nove partidos: PSD, PSC, PV, PR (hoje PL), PRB (atual Republicanos), PHS, PPS (hoje Cidadania), Podemos e Avante. Desde o ano passado, Ratinho Jr já vinha fechando pré-acordos com outras legendas que não estiveram ao seu lado há quatro anos, como PP, MDB, Cidadania e PSB. O problema é muitas dessas siglas estão negociando alianças com outras legendas para a disputa presidencial não alinhadas ao governador.
Na eleição para o Palácio do Planalto, o PSD ensaia lançar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, hoje no PSDB, para a presidência. Ratinho Jr tem boa relação com o presidente e pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), que espera o apoio do governador paranaense. Caso contrário, ameaça lançar o deputado federal Filipe Barros (PSL), para o Palácio Iguaçu.
Migração
Outro problema é o PSB, que negocia federação com o PT para indicar o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E no Paraná, o PT pretende apoiar o ex-governador Roberto Requião, hoje sem partido. Deputados do PSB no Paraná ameaçam deixar a legenda e migrar para siglas alinhadas a Ratinho Jr.
O PSDB lançou a pré-candidatura ao governo do ex-prefeito de Guarapuava, César Silvestri Filho, que tem o governador de São Paulo, João Doria, para presidência. Os tucanos negociam uma federação com Cidadania, que havia sinalizado apoio à Ratinho Jr no Paraná. Caso a federação saia, o partido ficaria impedido de subir no palanque do governador.
O MDB, que após a saída de Requião da legenda em agosto passado, iniciou conversas para apoiar Ratinho Jr no Estado, negociava nacionalmente uma federação com PSDB e União Brasil. Na semana passada, o partido descartou essa possibilidade, mantendo a intenção de lançar a senadora Simone Tebet (MT) para a Presidência. Mesmo sem a federação, há chances do MDB apoiar Doria, indicando Tebet como candidata a vice.
O Podemos que tem como pré-candidato ao Planalto o ex-juiz Sergio Moro, e vinha negociando manter o apoio a Ratinho Jr no Paraná, em troca da vaga de candidato governista ao Senado para Alvaro Dias (Pode), também tinha planos de uma federação com o Cidadania.








