No momento em que o Podemos tenta atrair o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, para ser o candidato do partido à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o senador Alvaro Dias (Pode) anunciou ontem que não pretende reivindicar a indicação da legenda para disputar o cargo novamente. Em 2018, Alvaro disputou o cargo, fazendo 859.601 votos, ou 0,8% dos votos válidos, ficando com a nona maior votação entre treze candidatos.“Não serei candidato à Presidência da República no ano que vem. Me sentiria honrado em ser candidato. Os grandes desafios me fascinam. Estaria muito confortável na disputa. Porém, sempre disse que jamais seria candidato de mim mesmo. Eu seria candidato se fosse convocado”, alegou o Alvaro em publicação no twitter. “Estou saindo do caminho para que outros possam caminhar. Não quero ser obstáculo para ninguém”, afirmou o senador.
Moro – que atualmente vive em Washington (EUA) – desembarcou no Brasil há duas semanas para uma série de reuniões com lideranças políticas para discutir a possibilidade de concorrer à Presidência no ano que vem. Ele esteve em Curitiba, onde se reuniu com lideranças do Podemos – partido que sonha em ter o ex-ministro como o nome da “terceira via” diante da polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Moro também se reuniu com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo políticos que participaram das conversas, ele não disse se será ou não candidato. Uma definição só sairia em novembro.
Potencial – Em Curitiba, o ex-ministro participou de encontro promovido pelo senador Oriovisto Guimarães (Pode), um dos entusiastas de sua candidatura. Além de Oriovisto, participaram da conversa de a deputada federal Renata Abreu, presidente nacional do Podemos, o próprio Alvaro Dias e o também senador Flávio Arns. O partido alega dispor de pesquisas que indicariam o bom potencial de uma candidatura presidencial de Moro.
Outra possibilidade seria o ex-ministro concorrer ao Senado. Nesse caso, porém, acabaria “batendo de frente” com Alvaro Dias – que deve disputar a reeleição. Nesse cenário, Moro tem sinalizado a apoiadores que só pretende definir seu futuro em novembro, já que, nesse período, seu contrato de consultor da empresa Alvarez & Marsal, em Washington completará um ano. Segundo interlocutores do ex-ministro, a divisão da “terceira via” é uma das dificuldades para Moro aceitar concorrer. O PSDB passa por um processo de intensa disputa interna com a realização de prévias eleitorais, opondo Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. DEM e PSL, que indicavam sua disposição de lançar uma candidatura presidencial, estão em plena fase de fusão no que deverá se transformar no maior partido do Congresso, e isso pode mudar seu peso no debate pela sucessão.
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