Renato Benvindo Frata
Dizem que é o coração que coloca beleza nos olhos e que se olhar por olhar não se a encontra. No universo de coisas bonitas muitas se destacam, como a flor na luminescência matinal oferecendo-se à abelha, ou o vale se estendendo na imensidão a dizer a grandeza do mundo, ou a montanha enregelada a abrigar ninhos de águias, ou as tórridas dunas ao sol a servir de estrada ao cameleiro. Ou o simples e necessário ato de amamentar em que a mãe despreza qualquer tarefa para se dar integralmente ao filho… São infinitas as formas inspiradoras de bons momentos que o coração oferece aos olhos e esse, como num passe de mágica, distribui ao corpo criando o que se chama felicidade. A beleza é a felicidade concentrada em sentimentos e visões.
E se assim acontece entre coração e olhos, também se destaca a sincronia entre olhos e lábios ligando-os em prazer ou tristeza. Olhar e sorriso têm evidência especial da comunicação.
Um olhar de candura por exemplo, se reflete pelo entorno para dar dimensão embriagadora a quem o recebe, enquanto o sorriso que dele deriva confirmará no esplendor do sentimento, o que os olhos quiseram dizer, o que confirma que tanto olhar como sorriso se complementam quando mostrado na midríase ou retração das pupilas a radiografia sentimental. Essa denuncia verdades, mentiras, crédito, descrédito, perfídia ou honestidade, que estarão sempre acompanhadas de um sorriso produzido pela satisfação com lábios esticados, ou o amarelo reprimido, indeciso e trêmulo da decepção.
Olhos e boca nasceram para se comunicar compondo o dueto de uma só voz com a naturalidade especial da comunhão.
Bem falar e bem ouvir são exercícios fundamentais à sociabilidade sadia, a pressa a que nos sujeitamos é que nos torna portadores de diálogos de meias palavras. Se aprendêssemos refrear a ansiedade que esse mundo louco impõe, conseguiríamos observar com mais vagar o olhar de nosso interlocutor e sorver quantidade maior da beleza ofertada por seus olhos.
Seria como se estivessem a colorir o diálogo, uma espécie de moldura à belas imagens que os olhos, municiados pelo coração, conseguem compor diante da beleza.








