Pelos

Publicado em 30 de junho de 2021

Renato Benvindo Frata

Quando o macaco virou gente, somente seus pelos o acompanharam pelos séculos a dizer que o macho tem estreita ligação com os tais fixados na cara, peito, axilas, púbis, pernas e bunda, o que leva à certeza de que o homem como concebido, é por natureza peludo! Quanto mais ogro for e quanto mais fedidos seus feromônios, mais macho parecerá. Há até quem diga que a testosterona vista de um telescópio é uma bola de pelos. 

Não se assuste o leitor: foi assim que li. Talvez o autor tenha querido dizer microscópio e errou o nome do aparelho cometendo dois erros: o do objeto servido para microscopicamente decifrar o hormônio, e na sua aparência visual que obedece à fórmula molecular C19H28O2 cujo desenho (acima) nada se parece com bola. Nem com pelos. Coisas da liberdade de expressão que facilita propagação de besteiras.

Na verdade, como principal hormônio sexual masculino, a testosterona desempenha papel fundamental no desenvolvimento dos tecidos reprodutores masculinos, testículos e próstata, e na promoção de características sexuais secundárias: aumento da massa muscular, aumento e maturação dos ossos e o crescimento do cabelo corporal, além de estar envolvida na saúde, no bem-estar e na prevenção da osteoporose, coisas da ciência que nós homens, não conhecemos com devíamos.

E por que foco o tema pelos? Porque depois cultivar os meus por 74 anos, os perdi como resultado da depilação a que a me sujeitei nas mãos de uma enfermeira. 

Sinto-me tosquiado! 

Tão malfeita e tão exagerada foi. 

Como estava grogue no momento e depois do procedimento cirúrgico, não lhe vi o rosto e não posso dizer se é feia, todavia pelo aspecto esgualepado que me deixou, ouso dizer que tem horror a pelos. Ou gosta tanto que os guardou para si tirando tudo! Tudinho da silva.

Hoje me constranjo frente o espelho, pois vejo num homem que nunca fui: um pelado (no estrito conceito do termo) elevado ao quadrado. Por estar sem roupas e sem pelos… Imagine um frango desprovido de penas, ou um lulu sem os pelinhos crespos. Sinto-me assim.

Nada contra os que depilam sobrancelhas, peito, cara, virilha, pernas e braços, nem os que se tatuam ou que estendem bandeira arco-íris, a liberdade é para ser usada e não  é objetivo contradizê-los, mas o de dizer que meus pelos foram sempre minha identidade e me ver sem eles me angustio.

Maior chateação é saber que os perdi para um barbeador mau operado. Ou operado com raiva e nessa altura do campeonato, só espero que o ato cirúrgico não tenha sido feito por mãos tão estabanadas… e que a moça do barbeador nunca pegue um bisturi.

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