Este poema começa no big bang:
a grande explosão
do amor transbordante de Deus.
Foi lá,
no enquanto do nada,
pairando sobre a natitude
que a divindade deliberou
sozinha, e em três,
criar o branco!
E assim Deus coloriu a vida!
E a entregou para os cuidados
de quem assumiu,
como missão,
uma saudade incontida de nascer.
Naquele tempo,
ainda não havia lápis de cor.
A arte haveria de ser criada
apenas com a luz dos olhos.
A vida se resumia a um rastro
enfiado na lama.
Tornar-se era tarefa de formiga.
Mas o Poeta,
munido da Semente,
única,
fecundou a terra inteira.
Em verdade, em verdade,
daquele sopro transparente,
entranhado no pó,
nasceram todos os corações.
Sinto desapontá-los,
mas o coração que treme em seu peito,
que fala por ritmo,
balança seu ser
e se joga no tempo…
não foi gerado no ventre,
sequer feito pelas mãos de Deus.
Deus o fez com um beijo!
Seduzido pelo chão,
ali o Poeta do Amor
plantou o grão,
num ósculo,
sangrou-o,
e regou o corpo inteiro.
Corpo: nada além de raiz.
Somos as raízes
fincadas nesta carne frágil
feita de folhas que sobraram
no dia da Criação.
A vida é um sopro, dizem.
Quem dera, se fosse.
Ao menos, voaríamos,
calmos,
como os sonhos em noites enluaradas.
Em verdade, em verdade,
somos o vinho no cálice
à espera da boca que o sorva.
O que buscamos:
rasgar nosso peito
para respirar
o instante.
Queremos a urgência de um abraço,
mergulhado nas cores
de amores que viajam
sempre em regresso.
E enquanto estamos fora,
quem cuidará de nosso jardim?
Somos a fadiga em viagem,
o menino que olha para o céu
como se fora galho
com um renovo a acenar para as nuvens
descoloridas.
Quem cuidará de nosso jardim?
Somos palavras empilhadas,
tornadas silêncios
ao som de respiradores.
Quem cuidará de nosso jardim?
É preciso que os amores
se cumpram.
E Deus, Poeta da Vida,
rosa que se acende no altar da eternidade,
engravidou o mundo com os anjos
que vestem o branco da Criação.
Com suas vestes feitas de pólen,
trazem pílulas nas pupilas,
gotas nos sorrisos,
milagres na alma medicinal…
E a saudade de nascer.
E todos os dias,
em nosso jardim,
novas flores se alimentam
do beijo de Deus,
que surge de manhã
batendo as asas
brancas da enfermagem.
giuseppe caonetto
Paranavaí, Cidade Poesia
12/05/2021









Lindo poema! Maravilhoso poeta!!!