Dia Internacional da Enfermagem

Publicado em 12 de maio de 2021

Este poema começa no big bang:
a grande explosão
do amor transbordante de Deus.

Foi lá,
no enquanto do nada,
pairando sobre a natitude
que a divindade deliberou
sozinha, e em três,
criar o branco!

E assim Deus coloriu a vida!

E a entregou para os cuidados
de quem assumiu,
como missão,
uma saudade incontida de nascer.

Naquele tempo,
ainda não havia lápis de cor.

A arte haveria de ser criada
apenas com a luz dos olhos.

A vida se resumia a um rastro
enfiado na lama.

Tornar-se era tarefa de formiga.

Mas o Poeta,
munido da Semente,
única,
fecundou a terra inteira.

Em verdade, em verdade,
daquele sopro transparente,
entranhado no pó,
nasceram todos os corações.

Sinto desapontá-los,
mas o coração que treme em seu peito,
que fala por ritmo,
balança seu ser
e se joga no tempo…
não foi gerado no ventre,
sequer feito pelas mãos de Deus.

Deus o fez com um beijo!

Seduzido pelo chão,
ali o Poeta do Amor
plantou o grão,
num ósculo,
sangrou-o,
e regou o corpo inteiro.

Corpo: nada além de raiz.

Somos as raízes
fincadas nesta carne frágil
feita de folhas que sobraram
no dia da Criação.

A vida é um sopro, dizem.
Quem dera, se fosse.

Ao menos, voaríamos,
calmos,
como os sonhos em noites enluaradas.

Em verdade, em verdade,
somos o vinho no cálice
à espera da boca que o sorva.

O que buscamos:
rasgar nosso peito
para respirar
o instante.

Queremos a urgência de um abraço,
mergulhado nas cores
de amores que viajam
sempre em regresso.

E enquanto estamos fora,
quem cuidará de nosso jardim?

Somos a fadiga em viagem,
o menino que olha para o céu
como se fora galho
com um renovo a acenar para as nuvens
descoloridas.

Quem cuidará de nosso jardim?

Somos palavras empilhadas,
tornadas silêncios
ao som de respiradores.

Quem cuidará de nosso jardim?

É preciso que os amores
se cumpram.

E Deus, Poeta da Vida,
rosa que se acende no altar da eternidade,
engravidou o mundo com os anjos
que vestem o branco da Criação.

Com suas vestes feitas de pólen,
trazem pílulas nas pupilas,
gotas nos sorrisos,
milagres na alma medicinal…

E a saudade de nascer.

E todos os dias,
em nosso jardim,
novas flores se alimentam
do beijo de Deus,
que surge de manhã
batendo as asas
brancas da enfermagem.

giuseppe caonetto
Paranavaí, Cidade Poesia
12/05/2021

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