Renato Benvindo Frata
Não há, pelo que eu saiba, uma definição oficial para a expressão “ter dedo podre” usada geralmente como ‘fazer más escolhas em relação ao amor e às amizades’ e, no presente, caso, em relação às pessoas destinadas a compor a base administrativa e política do governo Bolsonaro. São tantos os desencontros que chego a me questionar se o despreparo à gestão administrativa (pelo que se sabe, antes de ser Presidente ele nunca administrara sequer uma quitanda) é que o leva a escolher tão mal seus assessores, ou se esses escolhidos e tidos de confiança, ficam em extrema balbúrdia que não se dão conta do exercício das funções para as quais foram contratados. Sim, porque o não se prevenir antes de escolher, é a característica de bagunça. Rememorar cada fato seria gotejar na mesma goteira, lembrando que o caso do último Ministro do STF com suas mazelas curriculares não explicadas convenientemente, ainda está a sangrar à nossa vista.
Quem acompanha os noticiosos tem assistido aos casamentos, às paparicações e, de repente às separações, algumas tragicômicas, outras doloridas e todas, imperdoáveis, geralmente provocadas por denúncias de mal comportamento social, ou profissional, ou ético, ou moral, ou mesmo por extrema vaidade de um e outro lado; e especialmente pelo mau-caratismo dos forjadores de currículo que, levados ao conhecimento público causam nojo pela falta de brio, essência necessária ao homem, especialmente o público.
A bem da verdade, diga-se, a maioria das demissões tem sido provocada pela imprensa que não lhe dá trégua nem quando dirige sozinho e sem máscara um jet-ski, num braço de mar (essa é outra que ao torcer pelo touro, se chifra).
E, baboseiras à parte, é claro que ninguém traz grafado na testa seu grau de honestidade, de companheirismo, de assiduidade e eficiência, por isso existem os órgãos de segurança dotados dos mais sofisticados aparatos de investigação. Bastaria usá-los já que são pagos pelo erário.
Custará muito se prevenir-se e a nós, simples mortais, antes de convidar alguém para qualquer dos postos e com isso escarafunchar sua vida pregressa checando não só seu currículo, mas de como vem se comportando nos últimos vinte anos? Em que grau na análise desses convites está o comprometimento com a honestidade?
Sem generalizar, ao saber agora que o vice-líder do Governo no Senado Federal, o tal Chico Rodrigues, do DEM de Roraima teve sua casa e sua cueca vasculhadas pela PF a mando do STF em razão de fortes indícios de roubalheira de verbas destinadas à saúde, especialmente ao combate da Covid-19, é de se questionar se não é chegada a hora de o presidente procurar na medicina cura eficaz para seu dedo, ou, uma benzedeira porreta para que os benza deixando-os aptos para escolhas.
E nessa oportunidade, aproveite o profissional e faça o mesmo com o seu corpo inteiro e a alma de permeio, para que deixe de tanta fanfarronice enquanto sonha como Sancho Pança e passe administrar com seriedade.
Quem leu Miguel de Cervantes saberá do que falo.
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