“Joga b… na Geni” diz a música ‘Geni e o Zepelim’, de Chico Buarque, de 1978.
Quem viveu sabe que antes de ser sucesso, a letra alarmou os mais sóbrios dos cidadãos não acostumados com palavrões cantados pelo povo.
Considere-se que ninguém gosta de sair de seu conforto e às vezes expressões chulas como essa conseguem mexer com a postura geral. No caso dessa música, até a Igreja se coçou e muitas autoridades ficaram de nariz torto se questionando a tal subversão de valores. Porém a liberdade de expressão foi mantida e a música continuou cantada até por crianças do grupo escolar. Um sucesso. A Geni-prostituta de Buarque sobreviveu ao contexto ético-cultural, escancarando-lhe as portas.
Hoje vivemos um caso semelhante. Com uma Geni à nossa frente esperando pela pedrada, ou pela b… a que Chico se referiu: o Congresso Nacional com sua mania de desencantar, de humilhar e de produzir repugnância com atos nocivos a quem lhe deu vida, o povo.
Não são poucos os motivos: basta nominar o indigno fundo partidário recentemente aprovado, verdadeiro acinte a quem mantém esse país com impostos. Mais que isso: a aprovação do fundo eleitoral com o mesmo fim, que é gastar sem pestanejar, nosso dinheiro, além da aprovação de doação de verbas a parlamentares para usarem como lhes aprouver em troca de aprovação de projetos do Executivo, como se o Legislativo pudesse destinar as verbas administradas por quem de direito; sem contar os absurdos que cometeram com a descaracterização do pacote anticrime de Sérgio Moro dificultando o combate ao crime organizado que assola o país; e a retaliação proposital ao projeto de acesso às armas de fogo. Alguns pontos, para não citar outros tão importantes quanto, como as vultuosas despesas pagas a título de penduricalhos aos congressistas, verdadeira gatunagem às verbas públicas.
Diferentes da Geni de Buarque, essa de Brasília é tão aviltante que não consegue sentir o descontentamento dos que lhes deram o voto de confiança e, quando surgem pela mídia avisos escancarados de descontentamento – como essa manifestação prevista para 15 de março – se sente ameaçada diante do direito elementar de expressão, conforme inciso XVI do artigo 5º da nossa Constituição que garante a liberdade de manifestação pública.
O recado a essa “Geni” deslumbrada é o de que se prepare: a parte final da última estrofe da música referida é sucinta e direta: “Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar! /Ela é boa de cuspir!”
Renato Benvindo Frata








