Com a queda da temperatura nos últimos dias, a sociedade se mobilizou para ajudar duas famílias de índios que estavam em Paranavaí. No total são dezenove pessoas, entre adultos e crianças, que estavam acampados em condições precárias em um terreno no Jardim Santos Dumont. Dormindo debaixo de lonas e sem roupas adequadas para temperaturas tão baixas, os índios receberam a visita, na segunda-feira à noite, de voluntários e equipes da Assistência Social e Guarda Municipal. As famílias foram levadas para um barracão longe do frio e aquecidas com blusas e cobertas doadas pela população.
“Foi uma medida emergencial, já que essa onda de frio chegou forte desde ontem, e acabou pegando muita gente de surpresa. Por isso fizemos essa ação de ajuda aos índios juntamente com pessoas voluntárias. Mas é importante salientar que desde o início do ano estamos trabalhando para buscar uma solução permanente para essa situação”, afirmou a secretária de Assistência Social, Tasiane de Souza.
A secretária disse que a maior dificuldade é a legislação específica para os índios, que determina limites nas ações do município. “É uma situação difícil de resolver, já que existem leis que visam garantir a cultura e o modo de vida desses povos. O município não pode simplesmente proibir a entrada dessas pessoas, muito menos proibir que eles vendam seus produtos aqui. É a maneira que eles têm de garantir seu sustento. Por isso, entramos em contato com a Funai (Fundação Nacional do Índio) para saber como devemos agir nesse caso”.
A solução encontrada hoje foi providenciar o transporte dos índios e levá-los de volta para casa. Eles são naturais de Manoel Ribas, região de Guarapuava, e pertencem à etnia Kaingang. Em contato com a Funai e com as lideranças daquela comunidade, o município conseguiu um acordo. Um ônibus foi disponibilizado para vir até Paranavaí e buscar as duas famílias, que concordaram em voltar. A Secretaria de Assistência Social vai bancar o combustível, cerca de 150 litros de óleo diesel, para a viagem. “Mas essa também é uma solução emergencial, já que na próxima semana outros índios devem voltar à nossa cidade. Precisamos discutir uma forma de receber essa população indígena, já que o município não tem um local adequado para a permanência deles”, disse a coordenadora do Cras Zona Leste, Vanessa Alexandre da Costa, que atende aos índios desde o início do ano, quando houve um aumento da presença deles em nossa cidade.
Entendendo a situação – Desde o início do ano, dezenas de famílias indígenas estão vindo a Paranavaí para trabalhar, principalmente na venda de artesanatos. O fato de haver crianças nos semáforos oferecendo esses produtos acabou chamando a atenção dos moradores e gerando várias denúncias na Ação Social. Porém, a coordenadora de Proteção Social Básica do município, Leonar Araújo Cardoso, explica que “é muito comum na cultura indígena que crianças recebam dos pais ou responsáveis a autorização para viajarem com avós, tios e demais parentes como forma de aprenderem a prática do comércio. Nos valores deles, a prática do trabalho não se caracteriza como exploração de trabalho infantil”.
Valdecir de Abreu é o chefe de uma das famílias de índios que estavam há quase um mês em Paranavaí. Ele conta que na aldeia onde vivem, em Manoel Ribas, a situação é difícil. “A gente precisa sair para outras cidades para vender balaios (cestos). Só assim a gente consegue sobreviver”.
Antes de embarcar de volta para casa, na manhã de hoje, ele contou que pretende voltar a Paranavaí em breve. “Volto em 30 dias. Aqui eu consegui vender todos os meus balaios. Foi bom de venda. Em Maringá, para mim é ruim, porque lá já tem muito índio vendendo. Fiquei uma semana lá e depois vim para cá. Aqui eu consegui vender tudo, por isso quero voltar”, finalizou e subiu no ônibus que os levou de volta.










Tem gente por aqui achando que vai conseguir impedir que os índios voltem para vender os artesanatos deles, depois do que ouviram do índio Valdecir de Abreu, de que iria voltar em agosto porque achou boa a praça para vender. Só se o prefeito fizesse uma muralha da china aqui em volta da cidade e colocasse um portão na fortaleza. Ora, isso é um grande engano. Eles não são mendigos, e tem suas casas na reserva indígena da cidade de Manoel Ribas, onde tem também posto de saúde e assistência. Porém não podem ser impedidos de sair e vender seus artesanatos em qualquer ponto de qualquer cidade do país, assim como fazem algumas firmas daqui e da região que saem para vender seus produtos em outras cidades. Pago para ver alguém barrar os índios aqui ou em qualquer cidade! É mais fácil eu ver esses índios chegando aqui em Paranavaí e pagarem diária em hotel para ficar na cidade vendendo artesanato pelas ruas da cidade, com crianças de colo e tudo.