Manobras, indignação e esperança

Publicado em 04 de setembro de 2016

O texto que se segue nos foi enviado por Zé Roberto Balestra, como comentário, a respeito da nota Lewandowski sabia de tudo, que trata da trama que resultou no fatiamento do impeachment, que preservou os direitos políticos de Dilma Rousseff.
Seu conteúdo, perspicaz e sóbrio, reflete interpretação de intelectuais (daqueles brasileiros mais atentos) a respeito da forma como tudo foi “engendrado” e a maneira como foi “oficializado”, a indignação e impotência de todos em relação às vergonhosas “manobras” políticas, e termina com uma proposta de esperança.
Por isto decidimos dar ao texto o merecido destaque:

“Josias de Souza Josias Souza deixa claro que tudo foi à sorrelfa mesmo, sombriamente preparado. Mas os artífices de tão indigno ato se esqueceram do que diz o Livro Santo: “… nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.” (Marcos 4-22)De minha parte, bem desconfiei na hora que vi aquilo; aquele argumento que Lewandowski tinha às mãos, e que todos vimos estava escrito e ele lia, não é coisa que advogado nenhum produz a toque de caixa, nem sequer em uma hora, quanto mais em cinco minutos, ainda que seja um PhD no tema. Ou seja, havia sido mesmo ‘preparadíssimo’ com antecedência, e à sorrelfa, ou como diz o matuto, “na moita”.
Assim, depois daquela derrapada que assisti, cheguei a algumas conclusões acerca de minhas velhas indagações que fazia cá aos meus botões após tantas e tantas sessões do STF que já assisti integralmente pela TV Justiça:
– a uma; o olhar do atual presidente durante as sessões plenárias do tribunal transmitidas sempre me pareceu o de alguém aflito quando ‘a bola da palavra lhe chegava aos pés’, com pouco conhecimento da técnica jurídica para apreciar as causas complexas das quais participava dos julgamentos. E a sorte dele sempre me pareceu que foi a de que os demais ministros dão seus votos primeiramente, ou seja, para ele a coisa já chegava picadinha e mastigada, e era só engolir. O olhar durante a sessão do Senado não mudou.
– A duas; se naquela sessão plenária de 18 de dezembro de 2015, em que o colegiado do STF discutiu o rito do impeachment- assunto claramente interno da Câmara -, a votação 6 a 5, com voto de desempate por Lewandowski, eu [e dezenas de outras pessoas] reparava que toda vez que ele usava a palavra já tratava de reforçar incisivamente sua oratória, bradando que “se estava diante de um processo de afastamento de uma presidente da República, coisa muito grave!”, mandando na “partitura” aos demais ministros que deveriam amainar seus entendimentos – o que não ocorreu com nenhum deles, razão pela qual houve um empate primeiramente -, então agora não me causou nenhuma surpresa o acatamento do tal pedido de “fatiamento de dispositivo constitucional”.
Conclusão disso: me pergunto agora quantas derrapadas semelhantes não deve ter dado esse senhor em tão importante cargo, e aí quantas injustiças não deve ter causado às partes em processos, hem? É um caso para pensar, ao menos para mim.
Mas como nem tudo está perdido, e as esperanças sempre se renovam, aguardemos o dia 12 deste mês de setembro, data em que a Ministra Cármen Lúcia estará assumindo o comando do STF, fato que lhe dará a oportunidade constitucional de assumir também interinamente a Presidência da República.
É que, como agora não há Vice-Presidente da República, em casos de ausência do Presidente Temer em viagens, nas quais, por exemplo, se faça acompanhar do Presidente da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, quem assumirá constitucionalmente a Presidência da República será a mineira e futura presidente do STF, Ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.
Dias melhores e de maior segurança jurídica haverão de nos vir; Deus é Pai, não é padrasto!”
por Zé Roberto Balestra

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