Levantamento mostra as causas do desiquilíbrio financeiro da Santa Casa

Publicado em 11 de setembro de 2020

O estudo apresentado à diretoria do hospital aponta as
altas de preços e de consumo e a redução nas receitas

Criada em abril como referência aos pacientes dos 28 municípios da 14ª Regional de Saúde, a Ala Covid da Santa Casa de Paranavaí mudou o perfil e causou desiquilíbrio financeiro ao hospital. A Diretoria Geral e a Gerência Financeira da instituição, responsáveis pela administração junto com a gerência Assistencial, fizeram um levantamento com as principais informações ocorridas entre janeiro e agosto, algumas delas referentes ao período da pandemia, a partir de abril e outras relativas ao primeiro semestre. Os dados foram repassados à diretoria.Para criar a ala especializada, o hospital desativou leitos e suspendeu serviços, como as cirurgias eletivas (SUS, particulares e convênios). Estas cirurgias foram suspensas para evitar a utilização de leitos por pacientes que podem aguardar. Foram criados 20 leitos de enfermaria e 10 de UTI. 

O estudo aponta que a pandemia do coronavírus provocou, entre abril e agosto, a internação na Ala Covid de 246 pacientes, metade na UTI e outra metade na enfermaria. Destes pacientes, a maioria (52,43%) testou positivo.

Com a suspensão das cirurgias eletivas e de outros serviços, houve uma redução significativa de internamentos no geral. Este ano, entre abril e agosto, a Santa Casa registrou 4.162 internações (aqui incluídos os da Ala Covid). No mesmo período do ano passado foram 6.052 internamentos, redução de aproximadamente 32,5%.

Considerando somente as internações particulares, a queda é ainda maior. Ano passado, entre abril e agosto, foram realizados 237 internamentos particulares. No mesmo período de 2020 foram 76 internados, queda de 70%.

Na cirurgia o tombo foi maior, com redução de aproximadamente 47%: Foram realizadas 2.142 cirurgias entre abril e agosto deste ano contra 4.120 em 2019. Para o hospital, isto significa perda de receita, já que neste número estão incluídos os particulares, que caíram, em média, 85%.

O atendimento particular e de convênios são fundamentais para o equilíbrio financeiro da Santa Casa, pois são serviços superavitários. Os recursos do superávit são usados para cobrir o déficit causado pelo SUS, cuja tabela de remuneração está defasada há anos.

O diretor-geral do hospital, Héracles Alencar Arrais, e o gerente financeiro Marcelo da instituição, Marcelo Cripa, apresentaram ainda planilhas que mostram as altas de preços e a relação entre consumo e custo dos principais produtos e serviço.

A máscara tripla, por exemplo, tinha um consumo médio antes da pandemia de pouco mais de 3 mil por mês e o seu valor era de R$ 0,10. A partir de abril o consumo passou de 20 mil unidades/mês e o preço saltou a R$ 3,00 a unidade. Atualmente o preço médio da máscara é de R$ 0,70.

Entre os medicamentos mais usados no hospital, o diazepan trilhou o mesmo caminho. O consumo durante a pandemia cresceu 48%, mas o preço do produto subiu 200%.

No geral, entre os 10 produtos mais usados (equipamentos de proteção individual e medicamentes), os custos aumentaram 141%. Entre maio, junho e julho aconteceu o pico de preços. Em relação à última compra de produtos, em agosto e considerando o que se pagava antes da pandemia, os valores gastos com os estes produtos passaram de R$ 45 mil para R$ 108 mil.

Uma outra tabela aponta que a relação entre consumo e custo é desfavorável a situação financeira do hospital. Entre dezembro do ano passado e agosto deste ano houve redução de 27% no consumo de drogas e medicamentos, mas os preços aumentaram 39%; material médico hospitalar houve uma redução de consumo no mesmo período de 16%. Já os custos cresceram 26%; e no quesito material de higiene e limpeza, com menos espaço físico por conta de fechamento de ala e restrições de cirurgias, também a redução de consumo. A queda foi de 11% e os preços subiram 35%. 

Na reunião entre os administradores e a diretoria do hospital, realizada no final da tarde desta quinta-feira, dia 10, por videoconferência, Arrais e Cripa explicaram que o hospital ainda está longe de conseguir o reequilíbrio financeiro. Mas ressaltaram que, graças as doações, aos recursos do Governo Estadual, que está pagando pela Ala Covid, do Governo Federal, que fez repasse com base na Lei 13.995, que estabelece apoio aos hospital para o enfrentamento da pandemia, e de emendas parlamentares, não há risco de um colapso neste momento.

“A situação da Santa Casa é delicada, como sempre foi. Mas se considerarmos que têm hospital filantrópicos no país que já chegaram ao extremo de fechar parcialmente ou totalmente o atendimento, podemos dizer que estamos relativamente tranquilos por enquanto. Vamos continuar precisando do apoio da sociedade e dos repasses para enfrentarmos o desafio da pandemia. Até porque, boa parte dos recursos que recebemos é ‘carimbada’, o que significa que não podemos usar onde mais precisa, mas somente para o quê foi destinado”, disse Arrais.

Ele destacou ainda a importância da população manter as medidas de biossegurança, como a higienização das mãos, o uso de máscaras e o distanciamento social. “Esta guerra ainda não acabou, precisamos continuar atentos. Os números dos últimos dias acenderam mais forte a luz de alerta”, aduziu.

O diretor Maurício Gehlen elogiou a administração do hospital pela transparência e pela forma austera como está gerindo a instituição. “O momento é grave, mas graças a competência da administração, dos colaboradores e dos médicos vamos superar esta fase”, disse ele.

O presidente Renato Augusto Platz Guimarães avaliou como positiva o encontro. É importante cada diretor saber o que acontece dentro do hospital. Ele está sendo muito bem administrado, mas muita gente fez doações e estes e os diretores precisam saber como foram utilizados os recursos e os materiais doados. A transparência é fundamental numa instituição como a Santa Casa”, disse ele.

Alda

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