“Sucesso não se mede pelo que se ganha,

Publicado em 02 de dezembro de 2019

mas pelo sentimento do dever cumprido”

DesembargadorO desembargador José Hipólito Xavier da Silva, ex-presidente estadual da OAB, eleito pelo Quinto Constitucional da Advocacia para o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) defendeu em Paranavaí que o advogado “não deve medir seu sucesso profissional pela recheio do seu bolso ou pela sua conta bancária, mas pela satisfação de chegar ao fim da vida com o sentimento que cumprimos com o nosso dever”.

A manifestação foi feita durante no início de sua palestra na sede da Ordem, quando participou da entrega de carteiras de identificação profissional a dois novos advogados. “Isto é mais do que uma simples entrega de carteira a novos advogados. É a celebração de um compromisso de que a OAB estará sempre ao lado do profissional, defendendo suas prerrogativas”, acrescentou ele.

Hipólito esteve na cidade participando do Bate-Papo OAB, uma iniciativa da Comissão dos Advogados em Início de Carreira da subsecção. Antes dele, estiveram os desembargadores Francisco Pinto Rabello Filho e José Laurindo de Souza Neto e os juízes de Segundo Grau Anderson Ricardo Fogaça e Clayton Reis (aposentado).

Na ocasião, a presidente da OAB-Paranavaí, Célia Zanatta, homenageou o desembargador com a Comenda do Rubi, criada para comemorar os 45 anos de instalação da Subsecção. Ela entregou a homenagem junto com o ex-presidente Edilson Avelar.

O MUNDO MUDOU – Na sua palestra, no começo da noite da última quinta-feira, o magistrado falou de sua experiência como advogado por quase 40 anos e agora com sete anos no TJPR. Revelou que esta condição o faz se sentir, por vezes, usando a toga e a beca simultaneamente.

“Algumas desconfianças que eu tinha quando advogava acabei confirmando depois de nomeado desembargador”, explicou ele. E a partir daí passou a dar dicas importantes para os advogados, especialmente os em início de carreira. Citou por exemplo que “o mundo mudou” e aquela linguagem rebuscada cheia de expressões em latim e francês e o excesso de citações de sentenças ou de autores consagrados são desnecessários. “O julgador nem dá atenção a isso, temos que ser mais objetivos”. E na sustentação oral na Corte, o advogado deve se ater ao fato e a prova. “Tudo o mais, até mesmo os elogios, é desnecessário, é perder tempo”, reforçou.

Também explicou detalhes das sessões virtuais e deu dicas sobre a entrega de memoriais a desembargadores, que, geralmente, acontece às vésperas de julgamento. “Nesse momento deve ser algo muito extraordinário para chamar a atenção do julgador, porque ele já formou opinião. Os memoriais têm sua importância sim, mas deve ser entregue no momento adequado, e não é as vésperas do julgamento”, apontou Xavier.

Outra dica foi o advogado manter contato com a assessoria do desembargador. “Os advogados normalmente não querem falar com a assessoria do gabinete. Eu também achava que era um desrespeito não ser recebido pelo desembargador. Mas esta conversa é importante também. Portanto, se o desembargador não puder atender, fale com a assessoria. Isto não é se humilhar”, ensinou o magistrado.

HOMENAGEM – Antes da palestra, a advogada Carla Andressa de Moura, em nome da Comissão de Advogados em Início de Carreira, fez a saudação aos novos profissionais. Disse que a advocacia “não é uma profissão de covardes” e que a OAB “estará sempre ao lado de vocês, principalmente nas adversidades”.

O ex-presidente da Subsecção, Edilson Avelar, fez a saudação oficial ao desembargador José Hipólito. Ele lembrou o apoio que a Subsecção e a Associação dos Advogados do Noroeste do Paraná (Advog) receberam durante a gestão dele a frente da OAB-Paraná. Citou as visitas que fez a cidade e enalteceu o apoio que ainda hoje dá aos advogados, mesmo envergando uma toga de desembargador.

A presidente Célia Zanatta disse na ocasião que o desembargador, por ter exercido a advocacia por quase 40 anos, “conhece com profundidade nossas dificuldades, necessidades, ansiedades e angústias. Ao lado da sua atividade na magistratura, trabalha sempre para garantir nossas prerrogativas constitucionais, algumas vezes, quase sempre, ignoradas”.

Quando da entrega da comenda, ela lembrou que Hipólito, à frente da OAB estadual “não esqueceu do interior, dando a nós uma atenção especial. Na sua gestão era muito comum as suas viagens pelo interior em visita às subsecções. Nomeado desembargador, fez do seu gabinete um ponto de apoio para os advogados. É sempre muito gentil, atencioso com todos, tem e sempre terá o nosso respeito e admiração”.

A homenagem embargou a voz do magistrado, que agradeceu em seguida, quando afirmou que, na essência, continua sendo um advogado.

Ao final do encontro o decano da advocacia em Paranavaí, Luciano Teixeira Xavier fez um pronunciamento enaltecendo a coragem do desembargador e o respeito que ele tem com os advogados.

Alda

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