Santa Casa trabalha acima da capacidade e pacientes esperam na UPA por vagas

Publicado em 07 de novembro de 2019

Estrangulamento do sistema provocou reunião de emergência.
Autoridades vão ao Governo do Estado pedir socorro

Santa-Casa-e-UpaA Santa Casa de Paranavaí trabalhou nesta quarta-feira (06) com 103% de sua capacidade de atendimento ao SUS – além dos 129 leitos destinados ao setor público outros seis leitos estavam ocupados com pacientes do sistema. A situação não é isolada. Nos últimos dias, o hospital está atendendo pacientes do SUS acima de sua capacidade. Já houve dia em que a Santa Casa chegou a internar até 137 pacientes do sistema público.

A situação nesta quarta-feira foi ainda mais grave, pois enquanto o hospital trabalhava acima de sua capacidade, outros 17 pacientes estavam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paranavaí aguardando por                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  uma vaga para ser internado. Segundo ofício da Direção da UPA à 14ª Regional de Saúde (RS), há pacientes que estão há sete dias cadastrados na Central de Leitos esperando por uma vaga.

Logo após receber o ofício, o diretor da 14ª RS, Nivaldo Mazzin fez uma visita de surpresa à Santa Casa e junto com o diretor-geral da instituição, Héracles Alencar Arrais, constatou superlotação, inclusive com 11 pessoas internadas no Pronto Socorro.

Diante disso, Mazzin provocou uma reunião de emergência, na tarde desta quarta-feira, na Santa Casa, que contou com representantes da própria Regional, do hospital, Secretaria de Saúde de Paranavaí, Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde (Cresems) e Consórcio Intermunicipal de Saúde da Amunpar. “Recebemos cobranças e viemos ao hospital para saber o que está acontecendo. O Estado não está omisso. Ele compra e cobra pela prestação dos serviços contratados. O governo quer descentralizar suas ações de saúde, mas também quer a participação das prefeituras. Neste momento o que observamos é que a demanda está acima da capacidade da Santa Casa”, relatou Mazzin.

Assessora técnica do Cresems, Andréia Vilar disse que “a gente não sabe o que o governo está pensando” e relatou que o Estado “fechou portas” que dava vazão de pacientes quando aumentava a demanda. Segundo ela, quando havia lotação na Santa Casa de Paranavaí, os pacientes eram encaminhados a outras cidades, como Arapongas, Colorado, Cianorte e Umuarama. “O Governo agora não paga mais por este atendimento e os hospitais não recebem nossos pacientes”, disse ela.

Diante da explicação de que o governo suspendeu este tipo de atendimento para organizar o setor, Vilar disse que “o governo deveria primeiro se estruturar para depois fechar as portas”.

A Santa Casa é o único hospital de referência de média complexidade (e alguma coisa de alta complexidade) na área da Amunpar, segundo explicou o diretor técnico da Santa Casa, Jorge Pelisson. Mas acaba absorvendo também alguns casos de baixa complexidade de Paranavaí, que não tem hospital municipal e é responsável pela atenção primária. “Isto aumenta a demanda. Além disso somos referências para a SAMU, que, independente de nossa capacidade, encaminha os pacientes de emergência. Então, além de estarmos atendendo pacientes do SUS acima de nossa capacidade ainda temos pacientes internados no nosso Pronto Socorro que também estão à espera de um leito hospitalar”, disse Pelisson.

Houve consenso de que a responsabilidade em busca de solução deve ser compartilhada entre todos e que ela só virá definitivamente – ou ao menos vai minimizar bastante a falta de leitos na região – com a Unidade Morumbi da Santa Casa que deve entrar em funcionamento até o final do primeiro semestre do próximo ano. “O que fazer até lá?”, questionou o diretor técnico do hospital.

É que além dos casos de emergência, a Santa Casa também tem que fazer os procedimentos eletivos – aqueles que não são de emergência. Isto porque existe um contrato fiemado entre o hospital e o Governo para a realização dos procedimentos (contratualização) e do ponto de vista gerencial, é um serviço que ajuda na manutenção financeira do hospital. “E a cirurgia eletiva de hoje não realizada é a emergência de amanhã”, frisou Pelisson.

Diante da situação houve consenso em formar uma comissão e ir até a Secretaria de Estado de Saúde (SESA) em busca de uma solução, inclusive sugerir a pactuação (negociação) com hospitais de pequeno porte da região para desafogar da Santa Casa os casos de baixa complexidade. “Vamos agendar já para a semana que vem uma reunião com a área técnica da SESA para discutirmos e encontrar uma solução. O governo, repito, não está e não será omisso. Vamos em busca de uma solução”, garantiu Mazzin após a reunião.

Alda

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