Programa Gestão Centro Cirúrgico

Publicado em 07 de outubro de 2019

vai ampliar produção, evitar desperdício e aumentar segurança


Projeto do Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Albert
Einstein vai implantar ferramentas de gestão em todo o hospital

 

Gestao-Centro-CirurgicoA Santa Casa participa do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (PROADI), através do projeto Melhoria do Sistema de Gestão dos Hospitais SUS”, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Albert Einstein. O programa é destinado a hospitais filantrópicos e objetiva definir e implantar ações de melhorias na gestão, redução e prevenção dos riscos e agravos à saúde e na qualificação do atendimento da população.

A informação é do diretor geral administrativo do hospital, Héracles Alencar Arrais. Segundo ele, através do PROADI, a Santa Casa de Paranavaí vai buscar aumentar a capacidade de organização dos recursos e melhorar a qualidade assistencial.

Uma consultora do Einstein está assessorando a implantação do programa. Ela participou da formação de uma equipe que reúne representantes de todos os setores do hospital (que vai conduzir o programa) e fez um diagnóstico da Santa Casa. A consultoria se utiliza da técnica conhecida como Lean Six Sigman, um método organizado e sistemático para melhoria de processos estratégicos que se baseia em estatísticas e mensurações científicas para fazer reduções significativas em taxas de desperdícios e problemas comuns no funcionamento de algumas organizações.

As Direções Administrativa e Técnica do hospital escolheram que as novas práticas de gestão começariam pelo Centro Cirúrgico, que terá o acompanhamento presencial da consultoria. Nos demais setores, o programa será implantado pela própria equipe do hospital. E o monitoramento será feito pelo Ministério da Saúde.

CENTRO CIRÚRGICO – Arrais avalia que os protocolos que estão sendo criados devem contribuir para reduzir a demanda por cirurgias eletivas, com a melhor ocupação do Centro Cirúrgico. “Vamos otimizar nossa capacidade no Centro Cirúrgico”, aposta o administrador do hospital.

Sua opinião é compartilhada pelo chefe do Centro Cirúrgico, o médico cirurgião Carlos Fernandes Júnior. “Antes de iniciar este projeto, nós do Centro Cirúrgico, a equipe de enfermagem, tínhamos consciência de que havia necessidade de fazer uma modernização. Era uma estrutura antiga, com vícios, que atrapalhava. Só que não sabíamos como fazer. Aí veio o PROADI, que caiu no nosso colo como um presente. O que não sabíamos fazer, veio em forma de planilha. Hoje temos uma divisão clara de responsabilidade e de poder”, diz ele.

As planilhas de gestão apontaram que as salas de cirurgia (seis no total, uma delas fica sempre em reserva para emergências) ficavam ociosas, porque havia demora entre uma cirurgia e outra, cerca de meia hora. Este tempo foi reduzido à metade com os novos procedimentos e protocolos. Estas novas práticas vão permitir expandir o número de cirurgias. Como o SUS remunera o hospital por procedimentos, haverá um incremento na receita, permitindo a aquisição de novos equipamentos para o Centro Cirúrgico.

Além de contribuir para aumentar a receita do hospital, o Programa vai promover uma grande economia no bloco. Fernandes explica que está sendo implantado um rigoroso controle nos materiais usados nas cirurgias. “Por exemplo: havia muita sobra de fios para as suturas. Abria-se vários pacotes e o que não utilizava se perdia porque não pode aproveitar mais. Agora para cada cirurgia vem uma caixa lacrada com os materiais e medicamentos e a responsabilidade é do cirurgião. Evidente que se faltar, ele pedirá mais e será atendido na hora, mas terá que justificar”, explica o chefe do Centro Cirúrgico.

Carlos Fernandes diz que, apesar de o novo método romper alguns paradigmas e tirar profissionais da zona de conforto, médicos e enfermeiros receberam bem as mudanças. “Foi até surpreendente. Mas a consultora fez reuniões com as especialidades, explicou didaticamente como iria funcionar dali pra frente e não tivemos problema. Estamos ainda num período de adaptações, o processo está sendo implantado gradativamente, mas já é possível ver as diferenças”, comemora o cirurgião, que acentua que as mudanças não são apenas de procedimento, mas de cultura.

Além de aumentar a produção e evitar desperdício, o programa de gestão também vai melhorar a qualidade do serviço. “O controle de material infectado e o uso de antibióticos estão agora mais rigorosos e padronizados”, diz Fernandes Júnior.

O programa também reforça medidas de segurança no pré-operatório. Agora, um dia antes do procedimento, o médico já assinala no paciente o local da cirurgia e depois, na sala cirúrgica é feito um check. A cirurgia não começa antes de o enfermeiro ler em voz alta para toda a equipe um documento que fica no mural com informações de quem serão os médicos que atuarão, qual e onde será o procedimento, informações do paciente, o tipo de anestesia e medicação que será utilizada etc. “Isto aumenta a segurança da cirurgia, pois juntos, toda a equipe faz esta conferência”, assinala o chefe do centro cirúrgico.

Alda

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