O voto que pode definir a eleição

Publicado em 28 de setembro de 2016

Segundo dados do TRE-PR, Paranavaí tem hoje 62.287 eleitores aptos a votarem nas 197 seções distribuídas por 27 locais de votação nas eleições municipais de domingo próximo (02.10).
A acirradíssima disputa entre os atuais candidatos à prefeitura, com constantes vai-e-vem à Justiça para impugnar reciprocamente as pesquisas eleitorais de um ou de outro, com acusações de manipulação dos dados das pesquisas e tentativas de desqualificação pessoal, é um triste espetáculo que tem patrocinado a desinformação e a indecisão do eleitorado, sobretudo daquela parte – que não é pequena – que acompanha com pouca ou nenhuma atenção a vida política diária da cidade. E justo por isso se torna “vítima” da indução provocada pelas pesquisas eleitorais orientadas por marqueteiros profissionais que – em minha visão particular – não tem nenhum compromisso com a cidadania ou com o futuro da cidade, estado ou país.
É que esse tipo de eleitor, o indeciso, costuma reter na memória apenas os resultados da derradeira sondagem eleitoral que lera ou que soubera através de comentários isolados em seu bairro, comunidade ou local de trabalho, ou mesmo através da propaganda eleitoral no rádio, tevê ou jornal.
Vai daí que, tornando-se alvo fácil e frágil do fogo cruzado dos candidatos mais bem-postos na última pesquisa eleitoral divulgada, o eleitor indeciso é induzido psicologicamente à pior das práticas eleitorais, ao VOTO ÚTIL, voto que tem rosto de atitude democrática, sorriso de solução milagrosa para eles indecisos naquele instante, especialmente para aqueles que gostam de bater no peito e repetir a cada eleição que “– Até hoje não perdi um voto!”, mas o fazem sem perceber que o VOTO ÚTIL em verdade é ordinário e nefasto, já que em futuro não muito distante se mostrará com sua face prejudicial à universalidade do eleitorado local.
Tristes exemplos não nos faltam, e propositadamente sem querer referir-me ao caso nacional mais recente, cito apenas outros dois não menos históricos: a eleição presidencial do jovem FERNANDO COLLOR em 1989, o então “caçador de marajás”, a quem à época o eleitorado do Paraná dera (tristemente) 90% dos votos no Estado, e depois deu no que deu; JÂNIO QUADROS, o “Homem da Vassoura” que dizia iria limpar de toda impureza a política do país, eleito Presidente da República em 1960 com a maior votação até então recebida por um candidato a presidente no Brasil (no Paraná obteve 51,0% dos votos, à frente dos outros dois candidatos), antes de renunciar depois de ano e pouco no poder, chegou mesmo até a proibir o uso de biquínis pelas misses nas transmissões pela televisão. As consequências políticas e econômicas dessas duas autênticas tragédias eleitorais causadas em sua maioria pelo voto útil todos sabem de cor e salteado.
Pois bem, se por um lado a estratégia do voto útil explora a tendência de parte do eleitorado de votar inconscientemente para reforçar ou garantir a posição do candidato divulgado como favorito, por outro, alcança também – e disso pouco se fala – o eleitor que desconhece de todo não só a importância de seu papel nos destinos da cidade, mas também que as crises em geral, sejam éticas, políticas ou econômicas, não ocorrem por acaso ou sem causa aparente, mas que são precedidas por sinais óbvios que os cidadãos e cidadãs desatentos não percebem ou percebem e ainda assim os julgam sem importância.
Todavia, quando emergem com toda força os efeitos negativos da crise cujos sinais foram desprezados, o que estava posto e funcionando plenamente se desorganiza, e aí a grita se torna geral, com arrependimentos de toda sorte, mas pouco se poderá fazer a essas alturas, a não ser começar tudo de novo, com perdas de anos ou mesmo de décadas de esforços e verbas públicas cada dia mais limitadas.
Por fim, diante dessa autêntica “guerra de pesquisas” que tenho visto deixo aqui minha indagação aos que as patrocinam e em especial aos demais 62.287 eleitores: – O voto útil é o justo caminho?, o modo eleitoral mais “ético” de se conduzir alguém a chegar à chefia do poder executivo de nossa Paranavaí?
Ainda dá tempo de corrigir o curso dessas águas tão turvas de enganos…

Alda

2 comentários sobre “O voto que pode definir a eleição

  1. Pingback: O voto que pode definir a eleição | Joaquim de Paula

  2. Sempre defendendo o que é legítimo, mostrando os caminhos e achando soluções, sem críticas destrutivas, esse é o paranavaiense Dr. José Roberto Balestra. Realmente endossando seu comentário, devemos estar sempre atentos com relação ao voto, arma dos brasileiros, votar no bonitinho ou naquele que ofereça algo em troca, perder duas vezes. Vamos votar no melhor candidato, aquele que poderá trazer benefícios para cidade e consequentemente para os munícipes. Nossa cidade sempre foi carente de bons administradores, motivo que o município não desenvolveu como outros. Exemplo: Maringá, todos os pioneiros de Paranavaí lembram que existia o Maringá (velho) e através do plano diretor eficiente, construirão o Maringá (novo), com avenidas largas, parques industriais, anéis viários, retirada linha férrea do centro e tantas outas, planejaram a cidade para várias décadas. Portanto devemos escolher bem o novo prefeito, veja o plano de governo e se tem condições de realizar dentro do orçamento da prefeitura. Use seu voto em seu próprio benefício, vote bem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.