A vida ao som da orquestra

Publicado em 29 de agosto de 2016

Hoje pela manhã, no grupo de whatsapp “SALA DE IMPRENSA” (de Paranavaí), num seu comentário nosso amigo e conterrâneo Sérgio José “Old Rubens” contou que lhe impressionara a simplicidade de uma resposta que certo administrador municipal lhe dera durante recente diálogo sobre o futuro político da cidade, dizendo-lhe que é na escolha dos colaboradores que um prefeito deixa transparecer aos munícipes o ritmo que imprimirá à sua gestão.

Concordei, claro. E acrescentei dizendo que o melhor exemplo do que eu considere no momento como boa e futura administração da cidade estava presente na própria Paranavaí mesmo: a ORQUESTRA DE SOPROS DE PARANAVAÍ, a cuja apresentação no sábado (27), ricamente regida pelo Maestro Vitor Hugo Gorni no belo Teatro Dr. Altino, tive o imenso prazer de assistir acompanhado de um amigo e meu filho, ambos também advogados em Maringá. Nos maravilhamos deveras com a audição, e eu, como conheço meu calejado coração musical, o deixei falar pelos meus olhos, em especial durante os solos individuais; sei na pele a disciplina que um músico tem de ter para chegar a tal brilho e arte como aqueles.

Por outro lado, já havendo meditado sobre a interessante observação de ‘Old’ Rubens, viera também à “SALA DE IMPRENSA” outra ilustre compatrícia, Eliana Meurer, que indagou à geral sobre como se ter conhecimento, antes da eleição, de qual seria o critério que o novo administrador eleito se serviria para escolher seus colaboradores? Aí arrisquei meu palpite.

Uma “orquestra administrativa” depende também de um excelente “maestro”, o qual saiba com razoável celeridade, e em respeito aos bolsos contribuintes alheios, escolher dentre muitos pretendentes os melhores “músicos” para cada pasta. Não basta nomeá-los apenas por obediência a compromisso político assumido quando da campanha eleitoral, já que nisto reside um péssimo costume que grandes danos têm causado ao erário de um modo geral.

Relembro aqui apenas dois desses danos: o verdadeiro constrangimento que foi a nomeação de um ministro do turismo no governo da presidente afastada, cujo gabinete virou cenário para fotos sensuais de sua mulher. Mais recentemente a tragédia que se revelou ser a nomeação do ministro da saúde; à falta de conteúdo para a missão, se meteu em gafes diversas, sobretudo contra as mulheres, mesmo tendo em sua família uma esposa vice-governadora e uma filha deputada estadual. Em ambos os casos a culpa se deveu aos respectivos “maestros” que, por não saberem discernir entre competência e compromisso, acabaram pagando mico junto com seus mal-escolhidos.

Portanto, repito, a magnífica qualidade harmônica da ORQUESTRA DE SOPROS DE PARANAVAÍ é um prático e excelente exemplo a ser seguido pelo próximo administrador da cidade; maestro habilidoso na arte da regência e músicos que dominem de verdade seus instrumentos na prática e na teoria. Do contrário os eleitores surucuanos padecerão pelos próximos quatro anos ouvindo grunhidos e ruídos à guisa de pseudo-orquestra administrativa, porque na hora agá do voto, desperdiçaram a única munição legal que tinham à mão contra os candidatos bons de bico, os fantasiosos e os dissimulados promesseiros: o título de eleitor. A hora de pensar é agora. Depois…
por Zé Roberto Balestra

Alda

6 comentários sobre “A vida ao som da orquestra

    • Excelente análise, nos Paranavaiense precisamos para os próximos quatro anos um bom maestro, acho o mais preparado […] Já conhecemos outros, mais ruins de batuta

  1. Dizer o que deste artigo? Balestra incorporou Carlos Kleiber(1930– 2004) Maestro alemão, unanimidade entre os maestros, para discorrer sobre os efeitos que as más escolhas acarretam na condução da máquina pública. Pode sim! O gestor eleito, atentar principalmente para quem vai ocupar pastas e ocupar-se de gerir e administrar o bem público e fazer o bem ao público. Em um país cuja endemia é a “Lei de Gerson”. Parabéns Douto Balestra. Simples assim, ditou as palavras.
    Old Rubens.

  2. Corretíssima, meu preclaro misto de causídico e artista d.r José Balestra, a observação do não menos querido Velho Rubens.
    Costumo citar como exemplo a eleição, quarenta anos atrás, aqui no Paraná, de um prefeito, simples roceiro, analfabeto de pai e mãe.
    No entanto, cercou-se de assessores com virtudes misturadas de políticos e técnicos. Resultado ao final do mandato: A população, toda, queria-o para continuar o mandato. Além da impossibilidade àquela época – não se permitia a reeleição, ele apresentou uma simples justificativa que o impediria de continuar dirigindo aquele município. “Quero não, meu sítio tá coberto de guaxumba!”.

  3. Pingback: Sábias palavras a respeito da “escolha certa de colaboradores” | Joaquim de Paula

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