Voto Noroeste: Dificuldade entre os políticos

Publicado em 25 de agosto de 2014

Embora legítima, de bom propósito e até necessária, a campanha “Eu Voto Noroeste”, lançada por entidades da sociedade civil, tendo à frente da Associação Comercial de Paranavaí (Aciap) encontra pouco ou nenhum respaldo entre lideranças políticas. E há duas razões para isso: primeiro a retribuição aos deputados que ajudaram os prefeitos e vereadores em seus mandatos; e segundo uma questão legal, a fidelidade partidária. Por se tratar de uma campanha simpática ninguém quer confrontá-la e lançam mão de subterfúgios para justificar seu apoio. O mais comum é que o candidato X ou Y prestou serviços ao noroeste, por isso ele é da região.
Em Paranavaí, as três principais legendas políticas vivem esse drama. O PMDB tem Teruo Kato como candidato a deputado federal. Algumas lideranças do partido o apóiam indo ao encontro da campanha, Mas quando se trata das candidaturas de deputado estadual, escorregam: vão apoiar Requião Filho, Anibelli Neto ou Clayton Kielse. O prefeito Rogério Lorenzetti vai de Zeca Dirceu (PT) para federal e não definiu seu apoio a estadual. Ainda dentro do partido têm apoio à deputado federal João Arruda, André Zacharov, Hermes (Frangão) Parcianello e Rodrigo Rocha Loures.
O PSDB vive o mesmo drama. A legenda não lançou candidatos com domicílio eleitoral em Paranavaí. E apóia oficialmente Valdir Rossoni, da região de Guarapuava, para federal e Luiz Accorsi, com domicílio eleitoral em Curitiba, para deputado estadual. O presidente Walmor Trentini afirma que “vota noroeste”, pois estes candidatos têm compromissos com a região.
Também o PT não adere ao movimento, pois apóia Ênio Verri para deputado federal e Arilson Chiorato para a Assembleia Legislativa. Ambos são de Maringá. Aos petistas locais só faltam falar que Maringá fica Ana região noroeste, o que é verdade, mas é sabido também que a campanha, ao se referir ao Noroeste, está falando nos municípios da Amunpar. O PT teria a opção, para deputado estadual, de apoiar José Edegar, do PDT, que faz parte da coligação, mas optou por Ênio e Arilson.
O PSC também vive o problema: apóia Claudemir (Irmão) Barini para estadual, mas à federal vai de Edmar Arruda, de Maringá.
O PP fez opção por um candidato local para deputado estadual: Roberto Picorelli, que dobra com Ricardo Barros, também de Maringá.
O PSB local, que tem lideranças como Fernando Carvalho e o ex-vereador Gabriel Back, apóia o ex-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci.
Além disso, prefeitos e vereadores que receberam apoio de deputados em Brasília e Curitiba não se sentem à vontade para virar as costas àqueles que o serviram e agora são candidatos à reeleição.
Portanto a campanha enfrenta dificuldades (compreensíveis, diga-se de passagem) para conquistar apoio de lideranças políticas, que teriam que trair seu partido ou os companheiros que os ajudaram em suas administrações ou ações parlamentares. Equação de difícil solução.

Alda - 391x69

5 comentários sobre “Voto Noroeste: Dificuldade entre os políticos

  1. a grande dificuldade é que os lideres como prefeito, vice, vereadores e secretarios estão abraçados com candidatos de fora, ou por amor ou por dinheiro mas trabalham para empobrecer a cidade e a região. é uma vergonha para a cidade, nos vamos ficar sem representante estadual e federal e a culpa será destas pseudas lideranças que sempre estão agrugadas em alguma teta…..

  2. Sei que posso ser criticado por minha opinião, mas vou dar assim mesmo, apesar de ninguém ter pedido. Não acho os políticos nem melhores, nem piores que a sociedade. Eles são fruto dela e agem como ela. Tem políticos bons? Sim. Bons exemplos: Pedro Simone, Cristóvão Buarque e até o surpreendente Romário. Tem políticos ruins? Sim, aos montes.
    E na sociedade, como é?
    Temos pessoas caridosas, benevolentes, fraternas etc. Mas temos também gente que quer andar em alta velocidade e dar propina para não ser multado, furar fila, encher de sujeira os bueiros, roubar frutas e milho verde às margens das estradas, destruir bancos em praças públicas etc.
    Qual a diferença entre o mau político e este tipo de cidadão? Talvez porque os políticos sejam pagos com recursos públicos eles podem ser considerados pior. Mas temos servidores públicos que são pagos com recursos públicos e também não honram a repartição em que trabalham.
    Esta questão de votar em candidatos da região não nos dá nenhuma garantia de que estamos votando certo. O fato do candidato ser da região não assegura que estamos votando no melhor.
    É preciso lembrar que o papel de deputado é fazer leis que beneficiam a todos e não fazer papel de despachante. Este negócio de deputado ficar correndo atrás de recurso para determinada região é coisa de republiqueta de quinta categoria. Deputado é para fazer leis e fiscalizar o Executivo.
    Vamos imaginar que em Paranavaí houvessem apenas dois candidatos – um a deputado estadual e outro a federal. E que ambos fossem do PT (o partido que hoje tem a maior rejeição entre os brasileiros)? Será que estas entidades estariam lançando esta campanha?
    Sinceramente, acho que não.
    Por tudo isso tenho um pé atrás com esta campanha. Reconheço a seriedade e as boas intenções de seus idealizadores. Mas nem por isso sou obrigado a concordar com tal campanha.
    PS: vou votar em candidatos de Paranavaí.

  3. Pacato Cidadão. Falta mesmo honestidade de propósito. Fazem uma coisa para tentar conduzir o povo para o candidato(s) que preferem.

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